16 de novembro de 2016





Na abertura do documentário "The Mask You Live In" ("A Máscara em que você vive" - trailer aqui), um treinador e ex-jogador da NFL (a liga de futebol americano) decreta: "As palavras mais destruidoras que todo homem escuta quando garoto é quando lhe dizem 'seja homem!'".


A declaração é acompanhada por professores, psicólogos, sociólogos e outros profissionais que acompanham a formação dos meninos. Muitos deles, desde cedo, são submetidos a uma educação que desestimula a exteriorização de sentimentos, cobrados de um ideal de masculinidade ligado à força e a agressividade, com frases como "homem não chora", "não seja covarde", "não leve desaforo pra casa", "resolva as coisas como homem" e tantas outras que insinuam que, para serem reconhecidos, jamais poderão demonstrar fraqueza ou vulnerabilidade.

A cultura da masculinidade está comumente ligada à violência, rivalidade e competitividade. Necessidades universais como acolhimento, carinho e comunicação são consideradas femininas e instantaneamente rejeitadas por meninos, especialmente na adolescência, quando estas características geram humilhação e exclusão nos grupos.

Isso talvez ajude a explicar o porquê de a maioria dos crimes ser cometido por homens, sendo eles responsáveis por 95% dos homicídios em todo o mundo (veja reportagem aqui). Também são eles a maioria das vítimas por morte violenta. A pressão para demonstrar masculinidade faz também dos homens as maiores vítimas de suicídio, pois é comum não se sentirem livres para dividir dores e angústias com os amigos e pedir ajuda, como acontece com as mulheres. Há a necessidade de se mostrar sempre inabalável.

O sofrimento, inerente a todos os seres humanos, deveria ser acolhido e compreendido pela sociedade, contribuindo para o crescimento emocional dos meninos, mas, como não consegue ser comunicado de forma saudável, acaba por se transformar em raiva, agressividade e violência.

Todas as pessoas, independente do gênero, desejam a proximidade e a intimidade com as outras, que lhes permitam serem verdadeiras e não terem que usar máscaras para serem aceitas. Negar isso aos meninos pode condená-los à  carência afetiva que desencadeia muitos problemas emocionais, como a depressão, ideação suicida, síndrome do pânico etc. Uma sociedade mais fraterna e menos violenta começa pela construção do ideal de um novo modelo de masculinidade, em que homens também sejam livres para dar e receber afeto e cuidados.

Luiza
CVV Belém (PA)


* Precisando conversar? Acesse www.cvv.org.br e veja as formas de atendimento disponíveis.